Ace Williams vs André Ribas - The Debut

 Algumas semanas antes do show que viria acontecer, recebi a informação de que finalmente eu estaria estreando. Após algum tempo pensando ...

 Algumas semanas antes do show que viria acontecer, recebi a informação de que finalmente eu estaria estreando. Após algum tempo pensando em personagem, move-set, roupa e afins, finalmente iria chegar o momento que eu tanto esperei, eu iria fazer o meu debut. O oponente escolhido foi André Ribas (Ou Jesus como o chamamos), um cara com pouco tempo de treino, mas que ainda demonstrava muita vontade e talento e que talvez não por coincidência também estaria realizando a sua estréia. Trabalhamos nosso combate durante duas semanas, sempre encaixando os golpes e pensando numa luta movimentada e dinâmica.

 Nos foi dito que nós seríamos a segunda luta do show...Show este que ocorreria no dia 17 de Dezembro de 2017, no Bariloche Boliche, no Itaim Paulista. Havia muito tensão neste show, afinal, seriamos os únicos da Revolution Wrestling a integrar o show, o resto, seriam apenas combates dos profissionais demais experiência. Este show foi promovido com uma gravação para TV, e tendo promos inclusive de dois outros caras que vieram de fora do GDR...O Único e Eterno Iron Chales, (que viria a fechar o show contra Ninja, o Dragão Branco) e da Onipresença, o Vitão, que desafiou o Rony Kidd pelo título brasileiro, e que por sinal fizeram uma open match inacreditável. Mas enfim, a noticia de que provavelmente apareceríamos na TV já gelou minha espinha, afinal, um debut televisionado seria incrível.

 Então chega o dia 17. O combate gravado na cabeça, ansiedade fora do comum. Acordo com o coração batendo rápido. Um domingo de sol. Me arrumo, preparo todas as minhas coisas e pego o primeiro ônibus (claro, após esperar quase 40 minutos pelo mesmo). Havia convidado alguns amigos para que fossem acompanhar minha estréia, no final, apenas um foi capaz de ir (obrigado Japonês), justamente um dos que não era lá um grande apreciador de Pro Wrestling...Mas tudo bem. Pegamos mais um ônibus, um metrô e mais uma boa parte do caminho de trem. A ansiedade só aumentava. Chegando na estação, o primeiro problema: Não conseguíamos chegar ao local. Andamos por 10 minutos pedindo informação até pegar a direção correta, para só ai, finalmente caminhar 40 minutos num sol inacreditável, entre ladeiras e afins, para só assim chegarmos no boliche...Uma boate conhecida ali do local.

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 Chegando lá, sou recebido por Rony, vejo ja o ringue montado e todo o aparato para gravação. Ainda mais ansiedade. Fico algum tempo conversando com alguns amigos de treino e vendo os lutadores chegando...Até que acontece mais um empecilho, o empresário responsável pela gravação acaba nos dando um calote e a gravação não acontece. Uma briga e um clima tenso ja tomava conta da arena e não sabíamos mais se iriamos lutar ou não. A ansiedade de saber que iria fazer minha estreia, deu lugar para uma agonia ainda maior de não saber se a faria de fato. Mas no fim, após muita conversa, chegamos a conclusão de que o show iria acontecer com ou sem gravação. Com algumas horas de atraso, remanejamentos de luta e afins, o show começa, e junto a noticia: Eu e André Ribas seremos responsáveis pelo co-Main Event do show. Uma responsabilidade ainda maior para dois estrantes.

 Luta após luta ia se passando e nós nos vestiário repassando o combate. Confesso que senti uma ótima sensação, afinal, eu estava experimentado a sensação real de ser um lutador. Outros profissionais ao meu redor, conversando e fazendo seus combates, se aprontando, o público gritando do lado de fora e afins. A platéia, mesmo que pouca, ainda estava animada, até certo momento, aonde após uma luta pouco movimentada o sangue esfriou, um problema a mais para nós. Mas não tinha volta, eu teria que tentar ao máximo empolgar o público novamente. Eis que toca Shedding Skin, a minha música de entrada e eu saio dos vestiários...Invoco a cara mais nojenta que eu consegui fazer, e de maneira apática vou ao ring, olhando com desprezo e provocando os demais, até mesmo tomando a garrafa de água da mão de um dos que assistiam. Incorporei o papel de vilão o máximo que pude, acredito que o fiz bem, afinal, podia ouvir claramente as pessoas que estavam nas áreas acima do ring me xingando e desejando minha derrota. O André vem ao ring, com grande apoio do público, pronto, o público novamente era nosso. Michel e Jorginho, o narrador, falam algumas palavras e anunciam o inicio do combate.

 Confesso que na minha mente eu não vi o tempo passar. Um combate de oito minutos para mim mal durou dois, mas que seja...Um pequeno problema no ring, uma das tábuas estava solta, mas nada que impedisse alguma coisa, apenas uma dose maior de atenção. A cada golpe meu o público reagia me xingando, mas logo se exaltavam num movimento de André Ribas...Em dado momento uma leve confusão e ele esqueceu um dos movimentos, mas rapidamente contornamos e tudo terminou bem, com ao fim, eu revertendo o seu golpe final, aplicando o meu Ace of Spades e assim terminado o combate, para a indignação de todo o público, que naquela altura já me odiava. Tarefa cumprida.

  Após o combate, estávamos em êxtase no vestiário, tudo ocorreu bem. Alguma ou outra falha, mas apenas por questões de inexperiência, que em nada alterou a luta. O show acabou e eu mal vi o tempo passando. O sangue esfriou e eu já pude sentir a consequência de alguns golpes, em especial uma queda para fora do ring, que me fez cair num tablado de madeira e ralar as costas. Mas eis que entram dois garotos no vestiário e elogiam nosso combate, até comentam do sangue escorrendo nas minhas costas e brincam sobre ser mentira ou não. Após mais um tempo, finalmente chega a hora de irmos embora. De roupa trocada, pronto para ir embora, com o ring sendo desmontado, três garotos me abordam, um deles que já me incentivava pelo instagram e dizem que a luta "foi foda". Pedem inclusive para tirar foto conosco. O meu amigo, não tão apreciador da arte, estava animado, elogiando e dizendo o quanto gostou daquilo e que gostaria de vir mais vezes. Missão cumprida.

 Eu e aquele que tinha sido meu oponente mais cedo, pegamos o primeiro ônibus, que pra ser sincero demorou uma eternidade para chegar ao destino. Junto, nesse ônibus, os três garotos, estavam juntos e diziam o quanto moravam longe, mas vieram para prestigiar o evento mesmo assim, podia ouvir de fundo os comentários que me alegravam ainda mais. Finalmente chegamos a estação, pegamos dois metrôs, mal conseguimos pegar um ônibus e, eu que morava em Diadema, só conseguir pegar um ônibus para casa as 00:30, ja nem acreditava mais que chegaria em casa sem pedir um carro. A fome, o cansaço e o sono me dominavam, mas a satisfação de ter feito meu debut era maior. Foi um dia inesquecível, um combate inesquecível. Sem dúvidas, uma das melhores sensações que já pude ter.

Ace Williams vs André Ribas - The Debut
17/12/2017
Resultado: Ace Williams vence por Pinfall, após um Ace Driver.

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